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[Estratégias] Para reinventar a
comunicação interna
Por Manoel Fernandes Neto
Pensadores, estudiosos e gestores procuram desvendar por
completo as características, sensações e agonias do ser mais importante do mundo
corporativo: o funcionário, o colaborador, o ser pensante da empresa, o condutor da
economia. Milhares de designações se multiplicam na busca da compreensão da forma de
expressão e comunicação dos membros dessas comunidades corporativas.
Entre diversas correntes de pensamento, um ponto em comum: o destaque para a influência
das novas tecnologias, o acesso ilimitado à informação e uma maior partilha do
conhecimento. O saber, na empresa, clama por sua democratização,
impulsionado por uma nova sociedade conectada em rede, onde todas as pessoas, de alguma
forma, processam o conhecimento. Seja manipulando diretamente uma estação de conexão,
seja por meio das pessoas, em suas casas ou no ambiente de trabalho. Trata-se de uma
conversação plena, capaz de fomentar massa crítica essencial para a convivência
harmoniosa e produtiva dessa nova sociedade. Essa disseminação sem precedentes de
valores, suas conseqüências e os debates que ocorrem por sua causa levam o indivíduo a
tornar-se mais crítico e ciente da sua capacidade transformadora. A empresa deve estar
preparada para isso.
O pensador Pierre Lévy, em seu livro Conexão planetária, mergulha um pouco mais fundo
na questão desse novo papel do funcionário: "Estaremos constantemente ocupados
em fazer negócios. Todos os tipos de negócios. (...) Mesmo os assalariados, que cada vez
mais demandam remuneração em ações, se tornarão empreendedores individuais, passando
de um empregador a outro, gerenciando sua carreira como uma pequena empresa, atentos a
todas as transformações do ambiente que podem lhes dizer respeito, prontos a se informar
em relação às novidades. A pessoa torna-se uma empresa."
Essa evolução de que fala Lévy, no que se refere a este novo funcionário, já pode
ser verificada em diversas organizações, no funcionamento de sua estrutura
organizacional e também nas suas políticas de relacionamento com o colaborador. Possuem
a crença na corrente, não tão recente, mas com forte adesão de antigas e novas
gerações, que apregoa que as empresas não existem em si como realidade palpável, mas
são o resultado da interligação e da harmonia entre as motivações das pessoas que
nela atuam.
Domenico De Masi, pensandor italiano, vai mais longe quando analisa o novo profissional.
Direto e franco, como é do seu estilo: Na sociedade industrial a maioria das
funções de trabalho exigia pouquíssimas aptidões profissionais. Mesmo um macaco
poderia trabalhar na linha de montagem. Na sociedade pós-industrial a maioria das
funções de trabalho exige notáveis aptidões intelectuais.
Ponto convergente no assunto: a harmonia entre os funcionários de uma organização
está sujeita a vários tipos de influência, seja de ordem mercadológica, seja de ordem
emocional. A comunicação interna, nesse contexto, exerce um papel fundamental para os
ânimos dessas relações. A organização do fluxo de informações e sua canalização e
assistência na transformação de conhecimento pode ser a diferença que determinará o
êxito dos objetivos estratégicos.
Esse novo profissional que surge dentro das organizações busca, acima de tudo, o
entusiasmo de poder transformar o mundo com o seu trabalho. Para isso, quer saber mais,
explorar mais e conversar mais. A empresa tem sua parcela de responsabilidade nesse
amadurecimento.
Mas, como oferecer uma nova dinâmica às empresas nestes tempos em que o conhecimento
atropela de maneira irremediável as relações nas comunidades corporativas? Como
empresas que já possuem ferramentas de comunicação interna como jornal,
intranet, mural e outros meios podem eliminar os ruídos de comunicação que
aparecem constantemente em suas pesquisas de clima? Ou mesmo aprimorar e dar um passo a
mais no que está sendo desenvolvido?
Entendo que um Diagnóstico de comunicação interna é a primeira atitude na
direção à nova sociedade, pois tem como objetivo responder a uma série de questões
que surgem no momento em que a empresa decide desenvolver um projeto de comunicação
interna abrangente, transformador e racional. Ou seja, evoluir no que vem sendo
desenvolvido há anos. O plano, concebido após análise do ambiente
empresarial, evita o que classificamos de efeito anamnese uma
lista de soluções improvisadas e de padrões que já alcançaram o estado de exaustão,
transformando-se em pacotes prontos, mas destituídos de qualquer compromisso com o
planejamento estratégico da empresa e sua busca por desenvolvimento sustentado.
Atualmente, a comunicação interna se transformou em coisa séria por analogia, no
mesmo nível do trabalho e dos processos desenvolvidos para obtenção de certificações
de qualidade. Um plano, dessa forma, é a garantia de caminhos seguros e de ações
conscientes, passíveis de serem implementadas na fase de execução.
O Diagnóstico de comunicação interna é um raio X recheado de ações e
planejamento, cujo olhar abarca o presente e o futuro do ambiente de comunicação
corporativa. Um olhar afinado com a cultura da empresa, sua história, seus valores, sua
gente.
Comunicação interna não é uma matéria exata, com uma só resposta, ou com receitas
prontas que, às vezes, não estão de acordo e não cabem na consciência coletiva
desenvolvida pela empresa desde a sua fundação. Um verdadeiro plano de comunicação
interna, viabilizado por um Diagnóstico de comunicação, consegue somar, torna-se
um elemento agregador à vida da empresa. E isso ocorre na exata medida em que se
encaminha o debate das alternativas possíveis de uma forma franca e transparente, em
sintonia com as metas industriais e comerciais. As soluções de comunicação estão
dentro do coração da própria organização: na voz de seus colaboradores. Uma
consultoria externa da área, ao ouvi-los, saberá mediar e escolher os melhores caminhos
e as mais apropriadas ferramentas de comunicação.
A comunicação, como outras áreas da empresa, deve estar embasada cotidianamente em
idéias e iniciativas que surpreendam e integrem o colaborador em uma conversação
produtiva, e que possibilitem a mudança de foco em relação a diversos temas
corporativos.
A inclusão de um consultor de mercado, chamado aqui de gestor de Comunicação, deve
buscar, na raiz da interatividade hoje existente entre todas as gestões da empresa, o
potencial que aprimore diariamente as melhores práticas adotadas para o fluxo dessas
informações.
Mais do que um documento fechado, o resultado do trabalho é uma carta de intenções
capaz de apresentar caminhos que devem ser seguidos pela empresa, sem descartar o
exercício da dúvida, do aprimoramento e da adoção das melhores iniciativas utilizadas
até hoje pela corporação.
Uma verdadeira e global comunicação entre os colaboradores será alcançada com ações
que continuem a aguçar o sentimento colaborativo e fraterno entre todos os envolvidos no
processo. Ou, como diria Elvis Presley: Não podemos andar junto de mentes
desconfiadas."
Manoel Fernandes Neto é jornalista,
consultor de comunicação, com experiência em grandes empresas brasileiras. Saiba mais
Fortaleça a revista Idéias &
Pessoas ( www.mfn.com.br/ip) disseminando este
artigo
para sua rede de relacionamento. Imprima ou envie por e-mail.
31.01.2005
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